Primeiro artigo do projeto antigo do blog

Blog Palmtops

Blog escrito por Marcelo José de Souza, técnico de informática, entusiasta de palmtops e desenvolvimento de aplicativos.

Como aquela anedota do Chico Anysio, onde o comediante diz que seu sonho de juventude era comprar uma Mercedes 1957. Após trabalhar e lutar e economizar por quarenta anos ele enfim conseguiu realizar seu sonho: comprou a Mercedes 1957! Em meu caso, comprei uma Casio Cassiopeia E-125.

Tive um interesse muito grande em dispositivos móveis ultra compactos entre o fim dos anos 1990 e início da década de 2000. Tudo começou em 1997, quando comprei ou ganhei uma agenda eletrônica Olivetti, cujo modelo eu esqueci (prometo procurar na internet) mas a capacidade de memória é inesquecível: 2 kilobytes! Se não, vejamos: 2048 bytes: 10 bytes para o campo telefone e 50 bytes para o nome = 60 bytes  por registro; cerca de 30 contatos e você precisa de outra agenda…

Tudo bem, a capacidade é ínfima, mas o conceito de banco de dados, calculadora (simples) e relógio digital tomaram minha imaginação de assalto, e me fez aprofundar meus conhecimentos no assunto.

Pelas minhas contas, eu tive pelo menos umas quatro agendas eletrônicas: a Olivetti, uma Casio SF-3700, uma Casio SF-4300 e uma Casio B.O.S.S. SF-6500SY. De todas, a mais pitoresca era sem dúvida a Casio B.O.S.S.: a sigla eu acho que significa “Business Organizer System” o último S e o SY fico devendo o significado. Como eu estava dizendo, a agendia era pitoresca: do tamanho de um handheld – aquele palmtop em formato de notebook, que todo mundo quis ter a década de 90 – pesava quase igual a um handheld, tinha um teclado parecido com o de um handheld, uma tela do tamanho de um handheld mas era uma agendinha boba. Grande desperdício da Casio, que poderia ter adotado o software e a tela da série PV (Pocket Viewer) e lançado algo realmente bacana. Bom, a série SY começava com 128 kbytes e atingia os 2 mbytes. Tinha o software padrão das agendas eletrônicas e um jack serial para sincronizar em um PC.

A Casio SF-6500SY foi para mim uma grande alegria e uma grande decepção: enquanto a novidade do layout me impressionava e me deixava feliz por ser proprietário de um bom equipamento, o uso do dia-a-da me frustrou enormemente. Lento, bugado, gastador de pilhas… uma decepção! Nem me lembro mais qual fim dei nele, pois já fazem uns doze anos que o aparelhinho saiu da minha vida.

Já a SF-4300R foi a agenda que mais tempo usei e que ficou efetivamente mais tempo comigo. Comprei-a em março de 2000 por R$ 70,00 (dinheiro da época – o equivalente a aproximadamente R$ 180,00 no dinheiro de hoje). Interface sofisticada para uma pequena agenda de bolso, muito econômica e muito estável, caiu na graça logo e foi extensamente utilizada durante pelo menos cinco anos ininterruptos. Enfrentou (e acabou vencendo) a concorrência do famigerado Palm m100 e uma temporada desativada no fundo da oficina. Foi a única agenda para a qual investi algum dinheiro e tempo: comprei o cabo e software para sincronismo: descobri e usei muito o software dd-link – na minha opinião o  melhor PIM (Personal Information Manager) que fizeram até hoje para agendas Casio. Viajou comigo diariamente para SP, guardou minhas informações mais importantes e me fez aprender mais sobre pequenos dispositivos eletrônicos. Esta agenda terminou seus dias em março de 2010, após sono de dois anos. Precisei das baterias para consertar uns micros e a agenda ficou desligada durante muito tempo. Acredito que tenha havido oxidação ou vazamento de algum componente, que impedia a ligação e a operação do aparelho. Não insisti em consertá-la e acabei mandando-a para reciclagem.

Cada aparelho cumpre bem sua função até que a tarefa para a qual foi selecionado tenha sido concluída. Se o equipamento for versátil o suficiente, é possível que haja alguma aplicação futura; caso contrário, só há dois destinos: revenda ou reciclagem. Não é possível manter equipamentos indefinidamente armazenados em casa ou no escritório: espaço é item de luxo em apartamentos, e equipamento parado é dinheiro desvalorizado. Um exemplo: um computador de bolso da Casio, modelo Casiopeia era vendido em 2000 por R$ 1950,00 (R$ 1721,00 em dinheiro atual – o equipamento era vendido em dólar), sem acessórios adicionais: em 15 de agosto de 2011, o mesmo equipamento era vendido por R$ 50,00! desvalorização de quase 4000%!!! Mais um ano e seria difícil arranjar alguém para ficar com a Casiopeia de graça…

Neste exato momento escuto uma rádio pela internet, escrevo este parágrafo e rodo o cronômetro do palm. Tudo junto, ao mesmo tempo. Wi-fi ligado, hotsync via Bluetooth, envio de arquivos via infravermelho. Um verdadeiro espetáculo de portas de entrada e saída, inúmeras conexões simultâneas, multimídia e processamento pesado. É, estou puxando firme o pequeno computador hoje… Haja bateria, senhor barão… Amanhã sem falta começo a contar a história de um outro palm… Aprendi muito… Aprendi a escrever novamente no pequeno m100… Fica para amanhã!

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