Mais um texto antigo

Conforme prometido, aí vai meu depoimento sobre o Palm m100.
Foi meu primeiro palmtop. Fiquei todo feliz por que consegui comprar o computador de bolso estrela da mídia em 2001, cheio de holofotes e promessas. Lembro-me que paguei uns R$ 400,00 em abril de 2001 (R$ 934,19 atualizados). Na caixa, além do m100, manuais, um cd de instalação e softwares de bônus e o cabo de sincronismo com o PC. O meu palmtop tinha um cabo serial; soube mais tarde que as últimas unidades comercializadas já vinham com o cabo USB – nem é preciso dizer que esta opção adicionou muita praticidade na configuração dos equipamentos. Olhando para o passado, posso dizer que o m100 era competente para o que se propunha: poucos travamentos, boa autonomia de bateria, design inovador, charmoso: li em alguns sites que o desenho lembra uma ferradura ou um vaso sanitário visto de cima 🙂 Essa foi a parte positiva que eu tinha para escrever. Agora vem as críticas. A Palm (empresa) sempre foi confusa: desde sua origem até seu ocaso, nunca houve uma preocupação em consolidar uma linha de desenvolvimento. À época do lançamento da m100, ainda sse vendiam equipamentos da série III, VII, Vx, etc. Projetos e alvos diferentes davam a impressão de que os gestores andavam indecisos  quanto ao foco que precisavam escolher; nestes casos, é comum a decisão de atacar várias frentes. Decisão infeliz. o m100 foi lançado apressadamente, e a pressa cobra seu preço em forma de falhas: botões com mal contato, encaixes forçados e o que é pior: uma falha de hardware na fase de projeto que não foi devidamente sanada e essa falha gerou revolta e desvalorização, e de certa forma arranhou a imagem da empresa. Para explicar a falha, é necessária uma pequena introdução: entre o fim dos anos 90 e o começo dos 2000, a tecnologia Flash RAM ainda não era popular (e barata) como hoje, e sua aplicação em pequenos equipamentos eletrônicos era proibitiva, pois tornava a construção caríssima. Sendo assim, os engenheiros apresentaram uma solução alternativa, que consistia em manter a memória RAM do equipamento constantemente alimentada de energia. Isso poderia ser conseguido de duas formas: uma bateria dedicada, com duração de dois a três anos ou com a utilização de capacitores. A Palm oferecia uma solução sofisticada: um capacitor se alimentava das pilhas principais; quando estas necessitavam ser trocadas, o capacitor manteria a memória alimentada por até cinco minutos, permitindo ao proprietário a troca segura das pilhas. Isso nunca funcionou no m100. Sempre que se precisava trocas as pilhas, perdiam-se os dados armazenados. A causa, segundo a versão oficial, era a má qualidade do capacitor utilizado: muitos equipamentos foram às assistências técnicas, e o conserto oficial não resolvia o problema. Soluções alternativas previam a aplicação de capacitores maiores e até mesmo a instalação de uma bateria de backup. Conheço muitas pessoas que venderam seus palms a preço de banana por causa desse problema. Isso me decepciou e me fez vender o meu por metade do preço que paguei, em dezembro de 2002.

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