Participação no Hardware.com

Postei hoje um comentário para esse artigo: http://www.hardware.com.br/artigos/tecnologia-coisa-certa/ e senti que seria importante colocar o texto aqui.

 

Bem, pessoal, li o artigo do colega e, como meu colega que escreveu antes de mim, fiquei confuso com o viés ideológico do texto. Tecnologia é a ferramenta para se aprimorar o modo de produção; modos de produção eficientes maximizam os lucros; lucro maximizado = custo minimizado. Custo financeiro, diga-se de passagem, e que o constante avanço da tecnologia é imprescindível para a evolução também das pessoas. Pois eu afirmo que a maximização do lucro gera, paradoxalmente, maior custo social e ambiental. Logo, o modo de produção eficiente é também excludente, pois não equaciona a questão social nem a questão ambiental.

 

A maioria absoluta de nossos artefatos tecnológicos usa para funcionar dispositivos que podem nos incinerar, envenenar, deformar ou mutilar. Usa-se fontes de energia esgotáveis, ambientalmente degradantes e progressivamente caras. A forma que a evolução tecnológica acontece deixa como herança milhares de toneladas de lixo, composto de metais pesados e plásticos que não podem ser reciclados facilmente. Para quem ainda não teve curiosidade de saber como se recicla o e-waste pelo mundo afora, sugiro que se faça uma pesquisa no Youtube ou no Vimeo sobre reciclagem eletrônica na Índia e Nigéria; na sequência, vejam pelo Google Earth a mancha atmosférica pavorosa que está estacionada sobre Lagos, capital da Nigéria e destino de milhares de contêineres lotados de sucatas de celulares, tvs, pcs e toda a tralha tecnológica que nos cerca. Esse é o custo ambiental.
O custo social é o desemprego estrutural. Utopias sociais à parte, o que se vê hoje é uma população imensa diante de pouquíssimas possibilidades de trabalho digno. Tenho por trabalho digno a atividade profissional que não afete a saúde física e mental do funcionário, que permita a evolução profissional através de uma carreira estruturada, que tenha vencimentos que possam garantir o bem estar material do indivíduo e sua família e que garanta segurança social ao profissional para a futura velhice. Se um emprego não oferecer pelo menos uma característica que descrevi acima, este emprego é degradante, excludente e prejudicial ao indivíduo e à sociedade. Logo, sob meu ponto de vista, a tecnologia, da forma como está hoje, empurra a humanidade para um perigosíssimo impasse, que pode significar prejuízos muito grandes, talvez grandes demais para se equacionar.

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